Preparando o cachorro para a chegada de um bebê: Guia prático do veterinário
A chegada de um bebê muda completamente a dinâmica da casa e você precisa preparar seu cachorro para essa transição com antecedência. Muitos tutores deixam para pensar nisso apenas quando voltam da maternidade e isso é um erro grave que gera estresse desnecessário para o animal e para a família. Como veterinário vejo que o segredo para uma convivência harmoniosa está no planejamento e na alteração gradual da rotina meses antes do nascimento. Você deve assumir o controle da situação agora para garantir que seu cão associe a presença do novo membro da família a algo positivo e seguro.
Vamos tratar o seu cachorro não apenas como um animal de estimação mas como um membro da família que precisa de orientação clara e liderança tranquila. O objetivo aqui não é afastar o cão. O objetivo é redefinir o papel dele dentro da matilha familiar para que ele se sinta seguro e não desenvolva comportamentos reativos por medo ou insegurança. Você vai aprender a ajustar a saúde o ambiente e a mente do seu peludo para receber o bebê da melhor forma possível.
Esqueça a ideia de que o cachorro vai entender naturalmente que o bebê é frágil e precisa de cuidado. Cães são observadores de comportamento e reagem à energia e à rotina da casa. Se tudo mudar bruscamente no dia em que o bebê chegar o cão culpará o bebê pela perda de atenção e pela bagunça na rotina dele. Comece as mudanças hoje mesmo e siga este guia técnico e comportamental para transformar esse momento em uma experiência de união e não de conflito.
O Check-up Médico e a Saúde Preventiva
A importância da imunização atualizada
Você precisa garantir que a carteira de vacinação do seu cachorro esteja impecável antes do bebê nascer. O sistema imunológico de um recém-nascido é imaturo e vulnerável. Isso significa que doenças que podem ser comuns ou assintomáticas em cães adultos representam um risco para a criança. Verifique as datas das vacinas polivalentes que protegem contra leptospirose e outras enfermidades e também a vacina antirrábica.
Não espere o último mês de gestação para levar o animal à clínica veterinária para essas atualizações. Algumas vacinas podem causar reações leves ou febre no animal e você não vai querer lidar com um cachorro indisposto no momento em que estiver focado nos preparativos finais do parto. Além disso a imunidade vacinal demora alguns dias para atingir o pico de proteção. Planeje essa visita ao veterinário com pelo menos dois meses de antecedência.
Converse com seu veterinário sobre vacinas não obrigatórias mas recomendadas para o seu estilo de vida. Vacinas contra tosse dos canis ou gibrdia podem ser interessantes dependendo da região onde você mora e do nível de contato que o cão terá com o ambiente externo. O foco aqui é criar um cinturão de segurança sanitária ao redor do seu bebê eliminando qualquer brecha que possa comprometer a saúde da família.
Controle rigoroso de endoparasitas
Vermes intestinais são uma preocupação real quando falamos da convivência entre cães e bebês. Muitos parasitas são zoonoses o que significa que podem ser transmitidos do animal para o ser humano. O protocolo de desverminação deve ser ajustado para um esquema mais rigoroso durante a gravidez e nos primeiros meses de vida da criança. Não basta dar o vermífugo apenas quando você lembra ou quando vê algo estranho nas fezes.
O exame de fezes chamado coproparasitológico deve ser feito periodicamente para garantir que o vermífugo utilizado está sendo eficaz contra os parasitas específicos que seu cão possa ter. Lembre-se que o cão frequenta a rua pisa no chão e depois pisa no sofá ou no tapete onde o bebê vai ficar. A contaminação ambiental por ovos de vermes é invisível e silenciosa.
Estabeleça um calendário fixo de vermifugação com seu veterinário de confiança. Existem opções modernas que cobrem uma gama maior de parasitas e que são mais palatáveis facilitando a administração. Manter o intestino do seu cão livre de parasitas é uma das formas mais básicas e eficientes de proteger a saúde do seu filho que está chegando.
Prevenção de ectoparasitas no ambiente
Pulgas e carrapatos não são apenas um incômodo que causa coceira no seu cachorro. Eles são vetores de doenças graves que podem afetar humanos. Um ambiente com um recém-nascido precisa estar livre desses parasitas. Você deve utilizar produtos preventivos de longa duração e alta eficácia que matem os parasitas antes que eles piquem ou se reproduzam no ambiente.
A escolha do produto deve levar em conta a segurança para gestantes e bebês. Alguns colares ou pipetas podem ter cheiros fortes ou substâncias que ficam na pelagem do animal e que podem ser transferidas para as mãos de quem faz carinho no cão. Comprimidos mastigáveis costumam ser uma opção excelente pois agem de dentro para fora e não deixam resíduos tóxicos no pelo do animal.
Trate também o ambiente se houver histórico de infestações na sua casa. Ovos e larvas de pulgas ficam escondidos em frestas de taco tapetes e caminhas do cachorro. Faça uma limpeza profunda e use aspirador de pó com frequência antes da chegada do bebê para reduzir a carga parasitária da casa. Um ambiente limpo e protegido garante que o único foco seja a adaptação social entre os irmãos de espécies diferentes.
Dessensibilização Sensorial Antecipada
Aclimatação com sons de choro
Cães possuem uma audição muito mais sensível e aguçada que a nossa e o choro de um bebê atinge frequências que podem ser irritantes ou alarmantes para eles. Você deve preparar os ouvidos do seu cão para essa nova trilha sonora da casa. Comece a tocar gravações de choro de bebê em volume baixo enquanto o cachorro estiver fazendo algo prazeroso como comer ou brincar.
Aumente o volume gradativamente ao longo das semanas sempre observando a linguagem corporal do animal. Se ele demonstrar sinais de estresse como orelhas para trás ou parar de comer diminua o volume imediatamente. O objetivo é que o som do choro se torne um ruído de fundo normal que não exige uma reação de alerta ou medo por parte do cão.
Evite fazer carinho ou pegar o cão no colo se ele ficar agitado com o som pois isso pode reforçar o comportamento ansioso. Aja com naturalidade como se o som fosse a coisa mais comum do mundo. Se o cão permanecer calmo recompense-o com um petisco ou um elogio suave. Essa associação positiva transforma o barulho do choro em um preditor de coisas boas para o animal.
Introdução aos novos odores
O olfato é o principal sentido dos cães e a chegada de um bebê traz uma explosão de cheiros químicos e biológicos novos. Produtos como talco lenços umedecidos pomadas e loções têm odores fortes que podem confundir o animal. Comece a usar esses produtos em você mesmo ou passe um pouco nas roupas meses antes do bebê nascer.
Deixe o cachorro cheirar os itens do enxoval mas estabeleça limites claros de que ele não pode pegar ou morder. O cheiro do bebê será uma mistura desses produtos com o odor natural da pele e do leite. Quanto mais familiarizado o cão estiver com a “química” do bebê menos estranho o novo membro parecerá para o nariz apurado do seu pet.
Você pode colocar um pouco de loção de bebê em um pano e deixar perto da caminha ou da área de descanso do cão. Isso ajuda a criar uma memória olfativa passiva. O cão vai dormir sentindo aquele cheiro e vai acordar sentindo aquele cheiro. Quando o bebê chegar trazendo aquele odor o cão já terá registrado aquilo como parte do ambiente seguro da casa.
Adaptação ao toque e manuseio
Bebês e crianças pequenas não têm controle motor fino e muitas vezes agarram puxam e apertam o que está ao alcance. Você precisa preparar seu cão para toques que podem ser um pouco mais desajeitados. Durante momentos de carinho comece a tocar nas patas orelhas e cauda do seu cachorro de forma suave mas diferente do carinho habitual.
Simule leves puxões na pele ou toque em áreas que o cão geralmente não gosta tanto de ser tocado sempre recompensando com petiscos deliciosos. Isso ensina ao cão a tolerar o toque invasivo e a não reagir com mordidas reflexas. Se o seu cão mostrar desconforto ou tentar morder pare imediatamente e procure um adestrador profissional pois isso é um sinal de alerta grave.
Acostume o cão a ser manipulado enquanto você está em posições diferentes como sentado no chão ou deitado. Isso simula a perspectiva de uma criança engatinhando. Quanto mais tolerante e dessensibilizado o cão estiver ao toque físico menor o risco de acidentes quando o bebê começar a explorar o mundo com as mãozinhas.
Reestruturação da Rotina e Independência
Ajuste de horários de passeio e alimentação
A rotina perfeita que você tem hoje vai virar de cabeça para baixo nos primeiros meses do bebê e seu cachorro não pode sofrer com isso de uma hora para outra. Comece a alterar os horários de passeio e alimentação aleatoriamente para que o cão não fique dependente de um relógio biológico rígido. Se ele come sempre às 7 da manhã comece a variar entre 6h30 e 8h00.
Antecipe como será sua disponibilidade para os passeios após o parto. Se quem passeia é a gestante é provável que ela não consiga fazer isso nas primeiras semanas. Introduza agora a pessoa que ficará responsável pelos passeios nesse período seja o parceiro um familiar ou um passeador profissional. O cão precisa criar vínculo e confiança com essa nova pessoa antes da mudança definitiva.
Reduza gradualmente a atenção exclusiva que você dá ao cão em momentos específicos. Se vocês têm o hábito de ficar duas horas no sofá à noite mude isso. O cão precisa aprender que a atenção não é garantida 100% do tempo e que ele pode ficar bem sozinho. Isso evita a frustração súbita quando o bebê exigir todo o seu tempo disponível.
Fomentando a independência do cão
Cães muito apegados que seguem os donos pela casa como uma sombra tendem a sofrer mais com a chegada de um bebê. Você precisa ensinar seu cachorro a ficar sozinho em um cômodo e a se entreter sem a sua presença constante. Comece fechando portas por curtos períodos enquanto você está em casa deixando o cão com brinquedos interativos.
Utilize brinquedos recheáveis com comida para manter a mente do cão ocupada longe de você. O ato de lamber e roer libera hormônios relaxantes no cérebro do animal e ajuda a combater a ansiedade de separação. A independência é um presente que você dá ao seu cão pois permite que ele se sinta seguro mesmo quando você não está olhando para ele.
Valorize os momentos em que o cão escolhe ir para a caminha dele sozinho. Não o chame o tempo todo para perto de você. Se ele estiver deitado quieto em outro cômodo deixe-o lá. Ele está aprendendo a relaxar sem precisar do seu contato físico constante e essa habilidade será crucial quando você estiver ocupado amamentando ou trocando fraldas.
Treinamento de comandos de controle
Comandos básicos não são apenas truques de circo mas ferramentas essenciais de comunicação e segurança. Seu cão precisa responder prontamente aos comandos “senta” “fica” e “solta”. Imagine que você está com o bebê no colo e o cão pula para cumprimentar. O comando “senta” pode evitar um acidente.
Treine o comando “vai para a caminha” ou “lugar”. Isso é extremamente útil quando você precisa de espaço para cuidar do bebê ou quando há visitas em casa. O cão deve ver o local dele como um refúgio seguro e não como um castigo. Pratique isso diariamente com recompensas valiosas para que a obediência seja motivada por prazer e não por medo.
O comando “solta” ou “deixa” pode salvar a vida do seu cão e do seu bebê. Bebês derrubam chupetas fraldas e brinquedos. Se o cão pegar algo perigoso você precisa ter a certeza de que ele vai soltar o objeto sob comando sem que você precise enfiar a mão na boca dele. Comece a treinar trocando brinquedos por petiscos para ensinar que soltar é sempre vantajoso.
Preparação do Ambiente e Equipamentos
A interação com o carrinho e bebê conforto
Equipamentos de bebê têm rodas fazem barulhos mecânicos e ocupam espaço. Monte o carrinho e o bebê conforto semanas antes do nascimento e deixe-os na sala. Permita que o cão cheire e investigue os objetos desligados e parados. Recompense a curiosidade calma e desencoraje tentativas de morder ou pular nos equipamentos.
Comece a empurrar o carrinho pela casa e depois leve-o para os passeios na rua junto com o cão. Isso é fundamental para que o cão aprenda a caminhar ao lado das rodas sem cruzar na frente ou ter medo do movimento. O passeio com o carrinho deve se tornar o novo normal da caminhada matinal.
Treine o cão a caminhar ao lado do carrinho e não na frente puxando a guia. Você precisará de uma mão para o carrinho e terá menos força de alavanca para segurar o cão. Se o cão puxa muito considere usar peitorais anti-puxão e treinar a caminhada frouxa antes de adicionar o bebê à equação real.
Estabelecendo limites físicos na casa
Decida agora quais áreas da casa serão permitidas ou proibidas para o cão e comece a aplicar essas regras. Se o cão não vai poder entrar no quarto do bebê instale um portãozinho de segurança ou mantenha a porta fechada desde já. O cão não pode associar a proibição à chegada do bebê. A regra deve ser da casa e não causada pelo “intruso”.
Portões de bebê são excelentes ferramentas de gestão de espaço. Eles permitem que o cão veja e ouça o que acontece no outro cômodo sem estar fisicamente presente o que reduz a ansiedade de exclusão. Acostume o cão com a presença desses portões premiando-o quando ele ficar calmo do outro lado da barreira.
Se o cão dorme na sua cama e você pretende mudar isso faça a transição meses antes. Mover o cão da cama para o chão ou para outro quarto na véspera da chegada do bebê será interpretado como uma rejeição direta. Faça a mudança de forma gradual e positiva tornando a nova cama do cão o lugar mais confortável e premiado da casa.
O “cantinho seguro” do cachorro
Com a agitação de um recém-nascido e o fluxo de visitas o seu cachorro precisará de um lugar para onde fugir e descansar. Crie uma zona segura onde ninguém (nem visitas nem crianças no futuro) pode incomodá-lo. Pode ser uma caixa de transporte aberta um canto do escritório ou uma caminha em um local tranquilo.
Ensine ao cão que aquele local é o santuário dele. Sempre que ele for para lá garanta que ele não seja perturbado. Coloque brinquedos e petiscos lá ocasionalmente para reforçar o valor do local. Em momentos de choro intenso do bebê o cão terá a opção de se retirar para esse local em vez de ficar estressado rondando a situação.
Esse espaço ajuda a prevenir mordidas por irritação. Quando o cão se sente encurralado ou sem opção de fuga a reatividade aumenta. Saber que existe um local seguro reduz o nível geral de cortisol do animal e aumenta a tolerância dele aos estímulos estressantes do ambiente doméstico.
O Protocolo do Primeiro Encontro
A técnica da peça de roupa usada
Antes de trazer o bebê para casa peça para alguém levar uma roupa ou manta usada pelo recém-nascido na maternidade para o cão cheirar. Esse item terá o cheiro do bebê misturado com o cheiro da mãe o que ajuda na aceitação. Deixe o cão cheirar o objeto respeitando o tempo dele sem forçar o contato.
Observe a reação do cão ao cheiro. Se ele cheirar com curiosidade e abanar o rabo é um ótimo sinal. Se ele ignorar também é aceitável. Se ele tentar destruir o pano ou rosnar fique alerta e redobre a supervisão no primeiro encontro. Não deixe o pano com o cão sem supervisão para evitar ingestão.
Repita esse processo se possível por um ou dois dias enquanto a mãe ainda está no hospital. Quando o bebê chegar fisicamente o cheiro já não será uma novidade absoluta. O cérebro do cão já terá processado aquela informação olfativa em um ambiente calmo e seguro.
A chegada dos pais sem o bebê
Este é um dos pontos mais cruciais e negligenciados. Quando a mãe chegar da maternidade ela deve entrar em casa sozinha sem o bebê no colo. O cão sentiu a falta da tutora por dias e estará excitado para cumprimentá-la. Deixe que ele faça festa pule cheire e mate a saudade da dona livremente.
Enquanto isso o bebê fica com o pai ou avó do lado de fora ou em outro cômodo seguro. Se a mãe entrar com o bebê no colo o cão vai pular nela para dar oi e pode machucar a criança sem intenção. Além disso a mãe estará tensa protegendo o bebê e passará essa tensão para o cão que associará o bebê a uma barreira entre ele e a dona.
Somente depois que o cão estiver calmo e tiver gasto a energia do reencontro é que o bebê deve ser introduzido no ambiente. A mãe já estará relaxada disponível e poderá mediar o encontro com tranquilidade. Isso valida o cão e mostra que ele não perdeu o amor da tutora.
A aproximação supervisionada
O primeiro encontro visual deve ser feito com o cão na guia para segurança de todos. A mãe deve sentar no sofá com o bebê e o pai ou outra pessoa de confiança deve conduzir o cão na guia. Mantenha a guia frouxa para não passar tensão mas esteja pronto para agir se necessário.
Permita que o cão se aproxime para cheirar os pés do bebê. Elogie calmamente com voz suave. Não force o cão a chegar perto do rosto do bebê. Deixe a investigação acontecer no tempo do animal. Se o cão estiver muito agitado leve-o para dar uma volta antes de tentar novamente.
Nunca deixe o cão e o bebê sozinhos nem por um segundo. A supervisão deve ser ativa ou seja olhos no cão e no bebê o tempo todo. Com o passar das semanas e a habituação você poderá relaxar um pouco mais mas a regra de ouro da convivência entre cães e crianças é a supervisão constante e inegociável.
Gerenciando a Ansiedade e o Comportamento
Identificação de sinais sutis de estresse
Muitos tutores só percebem que o cão está estressado quando ele rosna ou morde mas os sinais aparecem muito antes disso. Você precisa treinar seu olho para ler a linguagem corporal canina. Bocejos excessivos quando o cão não está com sono lamber o focinho repetidamente (licking) e ofegar sem ter feito exercício são sinais claros de ansiedade.
Se o cão se afasta vira a cara ou mostra a parte branca dos olhos (baleia eyes) quando o bebê se aproxima ele está pedindo espaço. Respeite esses sinais. Não force a interação achando que é “fofo” eles estarem juntos. O cão está comunicando desconforto de maneira educada e se você ignorar ele pode ser obrigado a gritar (rosnar).
Fique atento a mudanças no apetite ou nos hábitos de higiene. Fazer xixi no lugar errado pode ser um sinal de estresse e não de pirraça. Entender o estado emocional do seu cão permite que você intervenha antes que o nível de tolerância dele se esgote evitando acidentes e traumas.
O uso estratégico de feromônios sintéticos
A ciência veterinária evoluiu muito no auxílio ao comportamento e os feromônios sintéticos são ferramentas valiosas. Produtos que mimetizam o odor materno canino enviam uma mensagem química de segurança e conforto para o cão. O uso de difusores de ambiente pode ajudar a manter a casa com uma atmosfera de tranquilidade para o animal.
Instale o difusor no cômodo onde o cão passa a maior parte do tempo pelo menos uma semana antes da chegada do bebê. Isso ajuda a baixar o nível basal de ansiedade do animal facilitando a adaptação às mudanças. Existem também coleiras impregnadas com esses feromônios que acompanham o cão por onde ele for.
Esses produtos não são sedativos; eles não deixam o cão dopado. Eles apenas modulam a percepção de ameaça no cérebro do animal tornando-o mais receptivo a novidades e menos reativo a estressores. É uma ajuda “invisível” que faz toda a diferença na qualidade de vida do pet durante a transição.
Estratégias de Tempo de Qualidade
O cão não pode sentir que perdeu tudo para o bebê. Reserve momentos do dia para serem exclusivos do cão. Pode ser um passeio de 15 minutos só você e ele ou uma sessão de brincadeira no quintal enquanto o bebê dorme. Esses momentos recarregam a bateria social do cão e reforçam o vínculo com você.
Mantenha rituais que o cão ama. Se ele gosta de escovação mantenha a escovação. A consistência de afeto mostra ao cão que a estrutura social dele está preservada. O ciúme surge da insegurança e da escassez de recursos (neste caso o recurso é a sua atenção).
Ao amamentar ou segurar o bebê jogue petiscos para o cão ou fale com ele gentilmente. Assim ele aprende que a presença do bebê faz coisas boas acontecerem (petiscos e atenção) em vez de coisas ruins (ser ignorado ou enxotado). Essa associação positiva é a base para prevenir o ciúme competitivo.
Higiene e Prevenção de Zoonoses
Protocolos de Desparasitação Intensiva
Retomando a questão sanitária sob a ótica da convivência diária a desparasitação deve ser vista como uma barreira biológica. Cães cheiram o ânus de outros cães na rua e lambem o próprio corpo. A língua do cão não é limpa nem antisséptica; ela carrega bactérias e ovos de parasitas.
Mantenha o vermífugo em dia com precisão de relógio. Converse com seu veterinário sobre a frequência ideal para o seu caso específico que pode ser mensal em áreas de alto risco. A giárdia por exemplo é um protozoário comum que pode causar diarreia em bebês e é transmitida por cistos microscópicos que o cão pode trazer nas patas ou no pelo.
Não permita que o cão lamba o rosto ou as mãos do bebê. Por mais que pareça uma demonstração de carinho o sistema imunológico do recém-nascido ainda está em formação. Redirecione as lambidas para os seus próprios pés ou mãos e lave-se em seguida ou simplesmente desencoraje o comportamento gentilmente.
Higiene das Patas e Boca
Crie uma estação de limpeza na entrada da casa. Sempre que voltar do passeio limpe as patas do cachorro com lenços umedecidos próprios para pets ou uma solução de água e sabão neutro. Isso reduz drasticamente a entrada de sujeira bactérias e ovos de parasitas trazidos da rua para o ambiente onde o bebê vai engatinhar.
A higiene bucal do cão também é importante. Escove os dentes do seu cão regularmente ou ofereça produtos que auxiliem na limpeza do tártaro. Uma boca saudável tem menos bactérias nocivas. Além disso verifique regularmente a pele do cão em busca de feridas ou micoses que possam ser transmitidas por contato.
Mantenha as unhas do cão curtas e lixadas. Uma patada acidental durante uma brincadeira ou um espreguiçar pode arranhar a pele sensível do bebê. Manter as unhas aparadas é uma medida de segurança física simples que evita lesões mecânicas desnecessárias.
Controle de Pelos e Caspas
Bebês têm vias respiratórias sensíveis e o excesso de pelos e caspa (epitélio descamado) pode ser irritante ou desencadear alergias. Aumente a frequência de escovação do cão para remover os pelos mortos antes que eles caiam no chão. Faça isso preferencialmente fora de casa ou em uma área ventilada longe do bebê.
Banhos regulares com xampus adequados ajudam a manter a pele do cão saudável e reduzem a descamação. Um cão limpo é um companheiro muito mais seguro para um bebê. Utilize aspiradores com filtro HEPA que retêm partículas finas de alérgenos ajudando a manter a qualidade do ar da casa.
Lembre-se de lavar a caminha e os cobertores do cão com frequência. O acúmulo de sujeira e alérgenos nesses itens é grande. Manter o ambiente do cão limpo reflete diretamente na limpeza do ambiente compartilhado com a criança criando um ecossistema doméstico saudável para ambas as espécies.
Quadro Comparativo: Auxiliares de Calma para Cães
Para ajudar você a escolher a melhor ferramenta para gerenciar a ansiedade do seu cão durante esse período preparei um comparativo entre três opções populares no mercado veterinário. O “produto foco” aqui é o difusor de feromônios (como o Adaptil) comparado a petiscos calmantes e coletes de pressão.
| Característica | Difusor de Feromônios (ex: Adaptil) | Petiscos Calmantes (Suplementos) | Colete de Pressão (ex: Thundershirt) |
| Mecanismo de Ação | Libera análogos sintéticos do odor materno canino no ambiente. | Utiliza ingredientes como Triptofano, Passiflora ou Camomila para relaxar. | Aplica pressão constante e suave no tronco (efeito “abraço”). |
| Indicação Principal | Ansiedade generalizada, adaptação a novos ambientes e rotinas. | Situações pontuais de estresse ou ansiedade leve a moderada. | Medo de barulhos (trovões, fogos) e ansiedade de separação. |
| Facilidade de Uso | Muito Alta (basta ligar na tomada e esquecer por 30 dias). | Alta (oferecer como prêmio diariamente). | Média (precisa colocar e tirar do cão, pode esquentar no verão). |
| Duração do Efeito | Contínua (24h por dia) enquanto estiver ligado. | Curta/Média (dura algumas horas após a ingestão). | Enquanto o cão estiver vestindo (uso recomendado por períodos limitados). |
| Interação com Bebê | Nenhuma (o cão não precisa ingerir nada, age no ambiente). | Baixa (é um alimento). | Baixa (é uma roupa). |
| Veredito Vet | Melhor para a chegada do bebê pois cria um “ambiente seguro” constante sem sedar o animal. | Bom complemento para dias mais agitados ou visitas. | Excelente para momentos específicos de choro intenso se o cão tiver fobia de barulho. |
Preparar seu cão para a chegada do bebê é um ato de amor e responsabilidade. Com paciência planejamento e as ferramentas certas você construirá uma amizade duradoura entre seus “filhos” garantindo a segurança e a felicidade de toda a família. Comece hoje e colha os frutos de uma convivência tranquila amanhã.


