Cachorro pode comer banana? Guia Definitivo do Veterinário
Se você já descascou uma banana e percebeu aqueles olhos pidões acompanhando cada movimento seu, você não está sozinho. É uma cena clássica que escuto quase diariamente no consultório: tutores querendo saber se podem compartilhar um pedacinho dessa fruta tão comum na nossa mesa com seus amigos de quatro patas. A resposta curta e direta é sim, seu cachorro pode comer banana.[1][2][3] No entanto, como médico veterinário, preciso ir muito além desse “sim” simples para garantir a segurança e a saúde do seu animal.
A banana é uma excelente fonte de nutrientes, mas não funciona para cães exatamente como funciona para humanos.[3][4] O organismo do seu pet processa açúcares e fibras de maneira distinta, e o que é um lanche saudável para você pode se tornar um problema calórico para ele se não houver moderação. A chave aqui é entender que a banana deve entrar na dieta como um petisco eventual, um agrado, e nunca como a base da alimentação.
Neste guia, vou explicar exatamente como oferecer essa fruta de forma segura, quais são os benefícios reais (sem exageros de internet) e, principalmente, quando você não deve dar banana ao seu cachorro. Vamos mergulhar na fisiologia do seu pet para que você tome decisões alimentares conscientes e seguras.
A Verdade sobre Bananas na Dieta Canina
O veredito veterinário
Quando analiso a banana sob a ótica nutricional veterinária, vejo um alimento seguro e não tóxico. Diferente das uvas ou do chocolate, que possuem substâncias venenosas para o organismo canino, a banana não carrega nenhum composto que vá intoxicar seu animal imediatamente. Ela é segura para a grande maioria dos cães saudáveis. Isso significa que você pode respirar aliviado se um pedaço caiu no chão e seu cão o aspirou antes que você pudesse reagir.
No entanto, segurança não é sinônimo de “liberou geral”. A banana é nutricionalmente densa, o que é ótimo, mas também é caloricamente densa quando comparada a outras frutas e vegetais permitidos, como o chuchu ou a melancia. Para um cão de porte pequeno, como um Yorkshire ou um Spitz Alemão, meia banana pode representar uma bomba calórica desproporcional ao seu gasto energético diário. O veredito, portanto, é positivo, desde que você assuma o papel de um tutor responsável que controla as porções com rigor.
É fundamental que você entenda que a dieta do seu cão, seja ela ração comercial ou alimentação natural prescrita, já deve conter todos os nutrientes necessários para a sobrevivência dele. A banana entra como um extra, um bônus de sabor e textura. Ela não deve ser usada para “suplementar” uma dieta pobre, mas sim para enriquecer a rotina alimentar e fortalecer o vínculo entre vocês através de um agrado saboroso e natural.
A regra de ouro dos 10%
Na nutrição animal, trabalhamos com uma diretriz muito clara que chamamos de regra dos 10%. Essa regra estabelece que todos os petiscos, agrados, frutas e qualquer alimento fora da dieta base do animal não devem ultrapassar 10% das calorias diárias totais que ele consome. A banana, por ser rica em carboidratos, preenche essa cota de 10% muito rapidamente, muito mais rápido do que você imagina.
Imagine que seu cão precisa de 500 calorias por dia. Os petiscos não podem passar de 50 calorias. Uma banana média tem cerca de 100 a 110 calorias. Se você der uma banana inteira para esse cão, você já estourou o limite de petiscos do dia e ainda comprometeu o equilíbrio da refeição principal. O excesso constante desbalanceia a dieta, pois o animal começa a ingerir menos dos nutrientes essenciais da ração porque está “cheio” de petiscos, ou então ele come tudo e começa a ganhar peso, caminhando para a obesidade.
Você deve aplicar essa regra matematicamente ou visualmente. Para cães grandes, algumas rodelas representam uma fração pequena. Para cães minúsculos, uma rodela fina já é o suficiente. O controle de peso é um dos maiores desafios na clínica veterinária moderna, e muitas vezes o vilão não é a ração, mas sim os “adicionais saudáveis” que os tutores oferecem sem contabilizar as calorias. A banana é saudável, mas engorda se você ignorar a matemática do metabolismo do seu pet.
Por que seu cão te olha quando você come banana?
Existe uma curiosidade evolutiva sobre o interesse dos cães por bananas. Diferente dos felinos, que são carnívoros estritos e não possuem receptores para o sabor doce, os cães são onívoros facultativos e possuem papilas gustativas específicas para o doce. Quando você descasca uma banana, o cheiro adocicado e forte é imediatamente captado pelo olfato apurado do seu cão, ativando o interesse alimentar dele.
Além da questão química do sabor, a banana tem uma textura que agrada muitos cães. Ela é macia, fácil de mastigar e tem uma palatabilidade alta. Isso a torna um “prêmio” de alto valor. Se você usa banana nos treinos ou como recompensa, vai perceber que seu cão trabalha com mais vontade do que se o prêmio fosse apenas um grão da ração habitual. Eles sabem identificar o que é mais gostoso e calórico, uma herança de seus ancestrais lobos que precisavam aproveitar oportunidades de alta energia na natureza.
Outro fator é o comportamento social. Cães são animais de matilha e observadores natos. O ato de você descascar a fruta e comer gera curiosidade e desejo de participação. Ao compartilhar um pedaço, você não está apenas nutrindo o corpo dele, mas reforçando um ritual social. O problema é que esse olhar pidão é irresistível para a maioria dos tutores, e é aí que mora o perigo do excesso. Você precisa ser forte e lembrar que o amor também se demonstra ao dizer “não” ou ao limitar a quantidade para preservar a saúde dele a longo prazo.
Benefícios Nutricionais Reais (Além do Potássio)
Potássio e o coração do seu pet
Sempre que falamos de banana, o potássio é o primeiro nutriente citado, e com razão. Este mineral é um eletrólito vital para o funcionamento elétrico do corpo do seu cão. Ele atua diretamente na bomba de sódio-potássio das células, um mecanismo microscópico essencial para a transmissão de impulsos nervosos e, crucialmente, para a contração muscular. E não podemos esquecer que o coração é o músculo mais importante do corpo.
Níveis adequados de potássio ajudam a manter o ritmo cardíaco estável e a pressão arterial controlada. Para cães muito ativos, que correm e brincam muito, a reposição de eletrólitos é importante, e a banana funciona como um repositor natural. A deficiência de potássio, chamada hipocalemia, pode causar fraqueza muscular e letargia, embora seja raro que um cão saudável desenvolva isso apenas pela dieta se ele comer uma ração de boa qualidade.
A banana oferece esse suporte mineral de uma forma biodisponível, ou seja, fácil de ser absorvida pelo intestino do cão. Diferente de suplementos sintéticos que às vezes podem irritar o estômago, o potássio da fruta vem “embalado” com água e fibras, facilitando a assimilação sem sobrecarregar o sistema. É um suporte natural para a vitalidade muscular do seu companheiro, ajudando-o a manter a energia para as caminhadas e brincadeiras diárias.
Fibras e o funcionamento intestinal
A banana é rica em fibras solúveis e insolúveis, e isso tem um impacto direto na saúde gastrointestinal do seu animal. As fibras agem como reguladores do trânsito intestinal. Se o intestino está um pouco preguiçoso, a fibra adiciona volume às fezes e estimula o peristaltismo, que são os movimentos naturais do intestino para expelir o bolo fecal. Isso ajuda a prevenir a constipação e mantém o ciclo digestivo regular.
Além disso, a banana contém prebióticos naturais. Prebióticos são, simplificando, o alimento das bactérias boas que vivem no intestino do seu cão. Ao nutrir essa microbiota saudável, você fortalece a barreira intestinal contra patógenos e melhora a absorção de outros nutrientes. Um intestino saudável é a porta de entrada para uma saúde sistêmica robusta, refletindo até mesmo na qualidade da pelagem e na disposição do animal.
No entanto, o equilíbrio é delicado. Enquanto a quantidade certa de fibra regula o intestino, o excesso provoca o efeito oposto. Muita banana pode fermentar no intestino grosso, causando gases, desconforto abdominal e diarreia. É por isso que a introdução deve ser gradual. Você deve observar como as fezes do seu cão reagem após comer um pedaço de banana. Se ficarem muito moles, é sinal de que a dose de fibra foi alta demais para a tolerância individual dele.
Vitaminas que fortalecem a imunidade
Além dos minerais e fibras, a banana é um coquetel de vitaminas, com destaque para a Vitamina C e a Vitamina B6 (Piridoxina). A Vitamina B6 é fundamental para o metabolismo das proteínas. Como os cães têm uma dieta baseada em proteínas, essa vitamina ajuda a quebrar os aminoácidos e utilizá-los para construir músculos, reparar tecidos e produzir hormônios. Ela também é vital para a função cerebral e a produção de glóbulos vermelhos.
Já a Vitamina C atua como um poderoso antioxidante. Embora os cães, diferente dos humanos, sejam capazes de sintetizar a própria Vitamina C no fígado, a suplementação via dieta natural pode ser benéfica em situações de estresse físico ou ambiental. Os antioxidantes combatem os radicais livres, moléculas instáveis que causam envelhecimento celular e inflamação. Ao oferecer banana, você está dando um pequeno reforço na luta contra o envelhecimento precoce e o desgaste celular.
Também encontramos magnésio na banana, que trabalha em conjunto com o cálcio para manter ossos fortes. A combinação dessas vitaminas e minerais torna a banana um “superalimento” acessível. Não é necessário comprar petiscos caros e importados cheios de promessas de marketing quando você tem na fruteira uma opção que oferece suporte imunológico, muscular e ósseo, desde que usada com sabedoria e moderação.
Riscos, Cuidados e Contraindicações
O perigo oculto do açúcar (Frutose)
Aqui entramos na parte mais crítica da conversa. A banana é uma fruta doce porque é rica em frutose e sacarose, que são açúcares naturais. Embora sejam “naturais”, para o pâncreas do seu cachorro, açúcar é açúcar. A ingestão excessiva provoca picos de glicose no sangue, exigindo que o corpo libere insulina rapidamente. Com o tempo e o excesso crônico, isso pode sobrecarregar o sistema endócrino do animal.
O consumo frequente de açúcar também é o caminho mais rápido para o ganho de peso. A obesidade canina é uma epidemia que vejo diariamente e ela reduz drasticamente a expectativa de vida do animal, além de causar problemas articulares e respiratórios. Uma banana média tem cerca de 14 gramas de açúcar. Para um humano de 70kg, isso é pouco. Para um cão de 5kg, é uma carga glicêmica imensa.
Além disso, o açúcar em excesso pode prejudicar a saúde bucal. As bactérias na boca do cão se alimentam desses açúcares, produzindo ácidos que atacam o esmalte dos dentes e aceleram a formação de tártaro e placa bacteriana. Se você oferece banana ou outras frutas doces, a escovação dos dentes do seu pet torna-se ainda mais imperativa para evitar doenças periodontais que podem levar à perda de dentes e infecções sistêmicas.
Cães diabéticos e obesos: Atenção redobrada
Se o seu cão foi diagnosticado com diabetes, a regra do jogo muda completamente. Para cães diabéticos, o controle da glicemia deve ser rigoroso e qualquer alimento com alto índice glicêmico pode desestabilizar o tratamento. A banana, especialmente quando muito madura, tem um índice glicêmico mais alto, o que significa que o açúcar entra na corrente sanguínea muito rápido. Nesses casos, a banana geralmente entra na lista de alimentos proibidos ou extremamente restritos.
O mesmo vale para cães obesos que estão em programa de emagrecimento. Quando colocamos um paciente em dieta restritiva, cortamos calorias “vazias” ou excessivas. Mesmo sendo saudável, a banana é calórica demais para um animal que precisa perder peso. Nesses casos, preferimos indicar vegetais de baixíssima caloria, como abobrinha ou chuchu cozidos apenas em água, que dão saciedade sem agregar carga glicêmica.
Você deve consultar seu veterinário antes de dar banana se seu cão tiver qualquer condição metabólica. Não assuma que “porque é fruta, faz bem”. A fisiologia de um cão doente não perdoa erros dietéticos. Às vezes, um pequeno pedaço de banana pode interferir na curva glicêmica do dia todo de um cão diabético, dificultando o ajuste da dose de insulina. A cautela aqui é a sua maior aliada.
Intolerância alimentar e alergias raras
Embora seja raro, cães podem desenvolver alergia a praticamente qualquer proteína ou componente alimentar, e a banana não é exceção. Uma reação alérgica pode se manifestar de formas sutis ou agudas. Os sinais mais comuns são dermatológicos: coceira intensa, vermelhidão na pele, lambedura excessiva das patas ou inchaço ao redor do focinho e olhos logo após o consumo.
Existe também a intolerância gastrointestinal, que é diferente da alergia. Na intolerância, o corpo simplesmente não consegue digerir bem aquele alimento, resultando em vômitos ou diarreia explosiva pouco tempo após a ingestão. Se é a primeira vez que você oferece banana ao seu cachorro, trate isso como um teste. Dê um pedaço minúsculo e espere 24 horas. Observe o comportamento, a pele e as fezes dele.
Se notar qualquer alteração, suspenda o fornecimento imediatamente. Alguns cães têm estômagos mais sensíveis e simplesmente não lidam bem com a textura ou a composição da banana. Não force. Existem dezenas de outras frutas seguras (como maçã sem sementes, pera, melão) que podem ser alternativas caso a banana não caia bem para o seu amigo. A individualidade biológica deve ser sempre respeitada.
A Polêmica da Casca de Banana
Digestibilidade e riscos de obstrução
A pergunta sobre a casca é frequente: “Doutor, meu cachorro roubou uma banana inteira e comeu com casca, e agora?”. A casca da banana não é tóxica, ou seja, não vai envenenar seu cão. O problema aqui é mecânico e digestivo. A casca é composta de uma celulose muito dura e fibrosa, feita para proteger a fruta. O sistema digestivo do cão não é projetado para quebrar fibras tão resistentes como o sistema de um herbívoro seria.
Isso cria um risco real de obstrução intestinal, especialmente em cães de raças pequenas e médias. Se o cão engolir pedaços grandes da casca sem mastigar direito (o que é comum, pois eles são gulosos), esses pedaços podem ficar parados no estômago ou travar em algum ponto do intestino delgado. Uma obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica grave, que coloca a vida do animal em risco.
Além do risco de bloqueio físico, a digestão difícil da casca quase certamente causará desconforto gástrico. Vômitos, gases e dor abdominal são consequências esperadas. O esforço do organismo para tentar processar aquele material fibroso pode irritar a mucosa gástrica. Portanto, a regra é clara: sempre descasque a banana. O risco não vale a pena, e nutricionalmente a polpa já oferece tudo o que seu cão precisa.
Resíduos químicos e pesticidas
Outro ponto que frequentemente esquecemos é o que está sobre a casca. A banana é uma das frutas que recebe uma carga considerável de defensivos agrícolas durante o cultivo para evitar pragas e garantir que chegue bonita ao supermercado. A casca atua como a barreira protetora, acumulando a maior parte desses resíduos químicos e pesticidas.
Mesmo lavando a fruta, é difícil remover todos os resíduos impregnados na textura porosa da casca. Ao permitir que seu cão coma a casca, você está expondo o organismo dele a substâncias potencialmente tóxicas a longo prazo. O fígado e os rins do cão terão que trabalhar dobrado para filtrar essas impurezas, o que é um estresse metabólico desnecessário.
Se você tem o hábito de comprar bananas orgânicas, o risco de pesticidas diminui, mas o problema da indigestibilidade (citado no tópico anterior) permanece. Portanto, o argumento dos pesticidas é apenas mais uma razão forte para você manter a casca longe do alcance do seu pet. A segurança alimentar envolve tanto a composição do alimento quanto a sua higiene e pureza.
O que fazer se ele comer a casca acidentalmente
Acidentes acontecem. Se você flagrar seu cão comendo uma casca de banana, a primeira ação é não entrar em pânico. Retire o restante da casca que sobrar, se possível. Em seguida, avalie o tamanho do cão versus a quantidade ingerida. Um Labrador que comeu meia casca provavelmente vai conseguir passar aquilo nas fezes, talvez com algum desconforto. Um Pinscher que comeu a mesma quantidade corre sério risco de obstrução.
Nas próximas 24 a 48 horas, você deve monitorar seu cão de perto. Procure por sinais de obstrução: vômitos (especialmente se tentar comer ou beber e vomitar logo em seguida), apatia, falta de apetite, dor ao ser tocado na barriga e ausência de fezes. Se ele parar de defecar ou se apresentar qualquer um desses sintomas, corra para o veterinário.
Não tente induzir vômito em casa sem orientação profissional, pois a casca pode ser grande e causar asfixia na volta. O ideal é ligar para seu veterinário, informar o peso do cão e a quantidade ingerida para receber a orientação específica. Na maioria dos casos de ingestão pequena, o animal terá apenas uma diarreia passageira, mas a vigilância é essencial para evitar complicações maiores.
Situações Especiais de Saúde
Banana prende ou solta o intestino?
Esta é uma dúvida clássica e a resposta depende do estado da banana e da quantidade. A banana madura é rica em fibras solúveis e açúcares, o que tende a ajudar no trânsito intestinal. No entanto, ela também contém pectina, que ajuda a absorver água no intestino. Isso faz com que a banana seja frequentemente recomendada em pequenas quantidades para ajudar a firmar as fezes em casos de diarreia leve, agindo como um repositor de potássio perdido.
Por outro lado, o excesso de banana, devido à carga de fibras e açúcar, pode provocar um efeito laxativo, soltando o intestino. É um equilíbrio fino. Se o seu cão está constipado, a fibra da banana pode ajudar, mas a abóbora costuma ser mais eficiente para esse fim. Se ele está com diarreia, um pedacinho pequeno de banana pode ajudar, mas se a causa da diarreia for desconhecida, é melhor não introduzir alimentos novos.
Como veterinário, recomendo cautela. Não use a banana como “remédio” caseiro para problemas gastrointestinais severos. Se a diarreia persistir por mais de 24 horas ou tiver sangue, a banana não vai resolver e pode até fermentar e piorar os gases. Use-a como preventivo em um cão saudável, mantendo a flora intestinal boa, mas não como tratamento único para doenças.
Filhotes podem comer banana?
Filhotes estão em fase de desenvolvimento acelerado e têm um sistema digestivo mais sensível e “imatura” do que os adultos. Sim, filhotes podem comer banana, mas a introdução deve ser feita com muito mais cuidado. Durante o desmame e a introdução da alimentação sólida, o foco deve ser uma ração de alta qualidade para filhotes, que garanta o cálcio e a proteína para o crescimento.
A banana deve entrar apenas como um agrado de socialização ou treino, em pedaços minúsculos, do tamanho de uma unha. O excesso de fibra em um filhote pode causar diarreia rápida, o que é perigoso pois filhotes desidratam muito rápido. Além disso, queremos evitar que o filhote se torne um cão “seletivo”, que prefere o sabor doce da fruta e recusa a ração seca.
Comece a oferecer a partir dos 3 ou 4 meses, sempre observando a reação. Use a banana para recompensar comportamentos positivos, como fazer xixi no lugar certo. Mas lembre-se: o estômago deles é minúsculo. O que é pouco para você é um banquete para eles. A moderação aqui deve ser extrema para proteger o desenvolvimento saudável do pequeno.
Pacientes renais e o controle de potássio
Cães com Doença Renal Crônica (DRC) são pacientes complexos. Os rins doentes perdem a capacidade de filtrar adequadamente certas substâncias, e o equilíbrio eletrolítico se torna um desafio. Em estágios avançados da doença renal, o animal pode ter dificuldade em excretar o excesso de potássio do sangue, levando a uma condição chamada hipercalemia, que é perigosa para o coração.
Por ser muito rica em potássio, a banana muitas vezes precisa ser restrita ou eliminada da dieta de cães renais, dependendo dos exames de sangue do paciente. Se os níveis de potássio do seu cão já estiverem no limite superior, dar banana é colocar lenha na fogueira. Por outro lado, em estágios iniciais, onde há muita perda de potássio pela urina, ela pode ser permitida sob supervisão.
Nunca ofereça banana a um cão renal sem o “ok” explícito do nefrologista ou clínico veterinário que acompanha o caso. A dieta renal é calculada milimetricamente para preservar a função dos rins pelo maior tempo possível. Introduzir alimentos fora dessa dieta sem critério técnico pode precipitar uma crise urêmica e encurtar a vida do animal.
Formas Criativas e Seguras de Servir
O truque da banana congelada
Nos dias quentes, a banana congelada é um dos melhores enriquecimentos ambientais que você pode oferecer. A textura da banana muda quando congela, ficando parecida com um sorvete cremoso, mas duro o suficiente para exigir que o cão a roa ou lamba por mais tempo. Isso não só refresca o animal, baixando a temperatura corporal, como também ajuda a acalmar cães ansiosos através do ato de lamber.
Você pode cortar a banana em rodelas e congelar, ou congelar meia banana inteira (descascada) para cães maiores. É uma ótima opção para aliviar o desconforto na gengiva de filhotes que estão trocando de dentes, agindo como um anestésico natural pelo frio. Apenas certifique-se de que o pedaço não é pequeno demais a ponto de ser engolido inteiro, causando engasgo.
Outra vantagem do congelamento é a conservação. Se você tem bananas ficando muito maduras na fruteira, congele-as antes que estraguem. Assim você tem um estoque de petiscos saudáveis sempre à mão, evitando o desperdício e garantindo um agrado refrescante para o pós-passeio no verão.
Amassadinha para “esconder” remédios
Todo tutor de cão sabe o pesadelo que pode ser dar um comprimido. Cães são mestres em cuspir remédios ou comer tudo ao redor e deixar a pílula limpinha no prato. A consistência da banana amassada é perfeita para camuflar medicamentos. Ela é pegajosa e doce, o que ajuda a mascarar o sabor amargo de muitos fármacos.
Você pode amassar um pedaço de banana, envolver o comprimido nela fazendo uma “almôndega” e oferecer ao cão. A maioria engole sem nem mastigar, movida pela gula do doce. É uma alternativa muito mais saudável do que usar requeijão, presunto ou salsicha, que são cheios de gordura e sódio e podem fazer mal a cães que já estão doentes tomando medicação.
No entanto, verifique sempre se o medicamento pode ser dado com alimentos. Alguns antibióticos exigem estômago vazio para absorção correta. Mas para a maioria dos casos, a “técnica da banana amassada” é uma ferramenta valiosa no arsenal do tutor para garantir a adesão ao tratamento sem estresse e sem brigas.
Recheio de brinquedos interativos
O enriquecimento ambiental é essencial para a saúde mental do cão. Brinquedos recheáveis (como os de borracha dura tipo Kong) são ótimos para manter o cão entretido e gastar energia mental. A banana amassada funciona como uma “cola” excelente para esses brinquedos. Você pode misturá-la com um pouco da própria ração seca ou com um pouco de aveia em flocos.
Recheie o brinquedo com essa pasta e leve ao congelador por algumas horas. O resultado é um picolé recheado que vai desafiar seu cão a lamber e roer para conseguir tirar o conteúdo de dentro. Isso pode manter um cão ocupado por 20 ou 30 minutos, reduzindo a ansiedade de separação quando você precisa sair de casa ou fazer uma reunião online.
Essa prática transforma a alimentação em uma atividade lúdica, imitando o comportamento natural de forragear (buscar comida). Além de nutrir, você está combatendo o tédio, que é a principal causa de comportamentos destrutivos como roer móveis. É uma forma inteligente e barata de usar a banana a favor do comportamento do seu pet.
Comparativo: Banana vs. Outras Frutas
Para te ajudar a visualizar onde a banana se encaixa no universo das frutas permitidas e proibidas, preparei este quadro comparativo simples.
| Característica | Banana | Maçã (sem sementes) | Uvas (e passas) |
| Segurança | Alta (moderada) | Alta (excelente) | Tóxica (PROIBIDA) |
| Calorias | Médio/Alto | Baixo | Médio |
| Açúcar | Alto | Médio | Alto |
| Benefício Principal | Potássio e Energia | Limpeza dental e Fibras | Nenhum (Risco Renal) |
| Pode a casca? | Não (indigesta) | Sim (nutritiva) | Não (fruta inteira é tóxica) |
| Melhor uso | Petisco ocasional / Treino | Petisco diário / Volume | Nunca oferecer |
A banana é segura e benéfica, mas deve ser tratada como a “sobremesa” do mundo canino, enquanto a maçã pode ser o “lanchinho da tarde” mais frequente. E as uvas, vale reforçar sempre: mantenha longe. A uva causa falência renal aguda em cães e pode ser fatal mesmo em pequenas quantidades.
Espero que este guia tenha esclarecido suas dúvidas. Como veterinário, meu objetivo é ver seu cão feliz e saudável. A banana pode ser uma grande aliada nisso, estreitando laços e trazendo alegria, desde que você use o bom senso e a moderação que discutimos aqui. Na dúvida, observe seu cão. Ele é o melhor indicador de como a dieta está funcionando. Aproveite esse momento de partilha com seu melhor amigo!


